O vulcão Noctis não possuí o formato clássico de cone porque foi desgastado pela erosão durante milhões de anos.
Recentemente, uma descoberta intrigante pode ter revelado um vulcão colossal em Marte, com cerca de 450 mil quilômetros de extensão. Se confirmado, ele seria mais alto que o Monte Everest e se estenderia do equivalente entre Nova York e Washington D.C. na Terra. Esse gigante adormecido pode guardar segredos sobre a antiga vida microbiana em Marte, tornando-se um ponto crucial para futuras explorações.
A descoberta foi feita por dois pesquisadores que, ao vasculhar dados de missões orbitais, identificaram o que acreditam ser um vulcão massivo, com mais de 9 mil metros de altura e uma base que se estende por impressionantes 450 quilômetros. Apesar de sua grandiosidade, o vulcão, apelidado provisoriamente de “Noctis”, estava oculto até agora, soterrado por eras de erosão e movimentação glacial.
Embora não existam sinais de atividade vulcânica recente, a estrutura deste vulcão pode ser uma relíquia que testemunhou bilhões de anos da história geológica do Planeta Vermelho. "Não acreditávamos que fosse realmente um vulcão gigante, principalmente porque ninguém pareceu notar isso antes", comenta Pascal Lee, um dos co-descobridores e cientista planetário do Instituto Seti.
Esse "colosso marciano", como vem sendo chamado, foi encontrado em uma região conhecida como Noctis Labyrinthus, um vasto labirinto de cavernas e túneis erodidos pela água. A área tem sido alvo de estudos por sua complexidade geológica, mas a descoberta de um possível vulcão coloca a região sob uma nova perspectiva.
No entanto, nem todos estão convencidos de que se trata de um vulcão. A descoberta ainda não passou pelo crivo da revisão por pares, e alguns especialistas permanecem céticos. Rosaly Lopes, uma cientista planetária da NASA, reconhece que a hipótese é intrigante, mas ressalta que a área é altamente erodida, o que torna difícil afirmar com certeza a natureza vulcânica da formação.
O passado vulcânico de Marte é inegavelmente rico. O planeta já abrigou erupções poderosas e construiu vulcões monumentais, incluindo o Olympus Mons, o maior vulcão conhecido do Sistema Solar. No entanto, a atividade vulcânica em Marte parece ter diminuído drasticamente, e muitos acreditam que os maiores vulcões já foram todos identificados.
Apesar disso, Lee e seu colega, Sourabh Shubham, doutorando na Universidade de Maryland, não se deixaram abalar pelo ceticismo. Eles acreditam que o Noctis não só é um vulcão, mas também um dos mais antigos de Marte, datando de mais de 3,7 bilhões de anos atrás. A atividade vulcânica pode ter se estendido até cerca de 10 milhões de anos atrás, sugerindo que o vulcão atravessou a maior parte da história geológica do planeta.
Mapa topográfico mostrando a localização icônica do vulcão Noctis entre as maiores províncias vulcânicas e de cânions de Marte.
(Crédito: Imagem de fundo: NASA Mars Global Surveyor (MGS) Mars Orbiter Laser Altimeter (MOLA) modelo de elevação digital. Interpretação geológica e anotações por Pascal Lee e Sourabh Shubham 2024).).
Ainda assim, a comunidade científica aguarda mais evidências para confirmar essa descoberta potencialmente revolucionária. O que se sabe é que, se o Noctis for realmente um vulcão, ele representa um novo capítulo na história de Marte – e pode ser o próximo alvo de uma missão de exploração robótica.


